O dólar subiu nesta quinta-feira, a R$ 5,10, em dia influenciado pela repercussão das novas tarifas aplicadas pelos Estados Unidos sobre exportações brasileiras e pelos dados de varejo que trouxeram o desempenho do comércio brasileiro no mês do Dia das Mães.
O que aconteceu
Dólar fechou em alta. No comercial para a venda, a moeda americana encerrou o dia negociada a R$ 5,098, variação de 0,40% ante o fechamento de ontem.
Estados Unidos confirmaram cobrança de taxa importação extra e lista de exceções. Governo dos Estados Unidos oficializou a cobrança de uma tarifa de 25% que afetará mais de 4.000 produtos brasileiros, a partir do dia 22 de julho. A medida, resultado da investigação comercial da Seção 301 conduzida pelo USTR (Escritório do Representante Comercial americano), traz uma lista de exceções que contempla mais de 2.000 itens, que compõem cerca de 80% da pauta de exportação.
Mercado segue monitorando preço do barril de petróleo no exterior. Na ICE (Intercontinental Exchange), o contrato do barril com entrega para setembro era negociado às 15h (horário de Brasília) a US$ 84,30, com queda de 0,8% ante o fechamento de ontem. Hoje, o Irã ameaçou expandir ataques na área do Golfo, mantendo no cenário as tensões sobre o fornecimento da commodity na economia mundial.
No ambiente doméstico, indicadores do setor de varejo mostraram desempenho do comércio no mês do Dia das Mães. O IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) divulgou hoje que em maio de 2026 o volume de vendas no comércio varejista subiu 0,1% frente a abril, na série livre de influências sazonais, após queda de 1,6% em abril de 2026. Com isso, a média móvel trimestral variou -0,2% no trimestre encerrado em maio de 2026 após estabilidade (0,0%) no trimestre encerrado em abril de 2026.
“No geral, os dados do varejo sugerem alguma desaceleração do consumo das famílias no segundo trimestre em relação ao primeiro trimestre, embora a resiliência da renda do trabalho e a recuperação em algumas categorias discricionárias e sensíveis ao crédito devam permitir crescimento moderado à frente.” Rodolfo Margato, economista da XP
Nova rodada de tarifas dos Estados Unidos contra produtos do Brasil influencia negativamente setor corporativo. Entidades da indústria e do comércio exterior apontam que a imposição de taxas de 25% sobre mais de 3.000 produtos brasileiros tem potencial para provocar perdas de até US$ 11 bilhões.
“A tarifa acerta em cheio o coração industrial e de maior sofisticação tecnológica da indústria brasileira, concentrado no Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná e, sobretudo, São Paulo, de onde sai a maior parte dessas exportações. Não é a proporção do PIB que preocupa, e sim a dinâmica tecnológica e industrial afetada.” Paulo Gala, professor de Economia da FGV-SP
Fonte: UOL













