...

Jogos de Inverno: conheça os atletas brasileiros

O Brasil chega a Milão-Cortina com a maior delegação da história do país em Olimpíadas de Inverno, na busca por uma medalha ainda inédita. Ao todo, 14 atletas competirão na Itália, e o bobsled terá um reserva. Ou seja, serão 15 esportistas brasileiros à disposição. Cada um vai aos Jogos com a bagagem do que já viveu e do lugar de onde veio. Por isso, o ge monta um guia para te apresentar aos nomes que escreverão mais um capítulo da nossa história olímpica.

As Olimpíadas de Inverno de Milão-Cortina começam oficialmente na sexta-feira (6), com a abertura marcada para 16h (de Brasília). TV Globo, sportv2, getv e ge transmitem a cerimônia. As competições, porém, já terão início nesta quarta (4), com o curling, e se estenderão até 22 de fevereiro.

Dos 15 atletas brasileiros que estarão nas Olimpíadas, 11 nasceram no Brasil. Os quatro restantes – Lucas Pinheiro, Pat Burgener, Augustinho Teixeira e Giovanni Ongaro – são naturais de outros países, mas têm dupla nacionalidade, por causa de laços de sangue, e escolheram representar a bandeira verde-amarela.

Os nascidos no Brasil

Cinco atletas que nasceram em território brasileiro vêm de São Paulo – estado com maior número de representantes nos Jogos. Três integram a equipe masculina de bobsled: Davidson de Souza, conhecido como Boka, Luís Bacca e Gustavo Ferreira.

Mais experiente do trio, Boka tem 33 anos e uma trajetória rica no esporte. Por alguns anos, chegou a representar a seleção canadense, mas resolveu voltar à equipe brasileira no fim de 2024. Vai disputar a segunda edição de Olimpíadas de Inverno da carreira e carrega consigo um feito importante: é o autor do hino do bobsled brasileiro.

As outras paulistas na delegação brasileira são Bruna Moura e Eduarda Ribera, a Duda, que disputarão o esqui cross-country em Milão-Cortina.

Saindo de São Paulo e chegando ao Rio de Janeiro, nos deparamos com mais três representantes do Brasil nas Olimpíadas de Inverno. Rafael Souza, revelado na Vila Olímpica da Mangueira, entrará em ação no bobsled. Alice Padilha e Christian Oliveira, do esqui alpino, deixaram o Brasil ainda crianças. Enquanto Alice foi para os Estados Unidos, Christian seguiu em direção à Noruega, terra natal do pai. O atleta chegou, inclusive, a competir pelo país europeu e só fez a transferência de nacionalidade no ano passado.

Da Bahia, vem o atleta mais velho da delegação brasileira em Milão-Cortina. Aos 46 anos, Edson Bindilatti disputará as Olimpíadas de Inverno pela sexta vez – um recorde. O piloto e capitão do bobsled vem de participações consecutivas desde os Jogos de Salt Lake City, em 2002. Com toda a experiência adquirida ao longo dos anos, ainda se dedica às pistas, mas também atua na formação de novos atletas.

Em Milão-Cortina, o Acre será representado por Manex Silva, de 23 anos. O atleta do esqui cross-country foi outro que se mudou ainda criança para a Europa. Vivendo na Espanha, conheceu os esportes de neve e escolheu defender o Brasil. Participará das Olimpíadas de Inverno pela segunda vez – esteve em Pequim 2022.

Para fechar o grupo de nascidos no território brasileiro, vem Nicole Silveira. Natural de Rio Grande, no Rio Grande do Sul, a atleta do skeleton se mudou para o Canadá aos sete anos. Ainda vive no país da América do Norte, onde concilia treinos e competições com plantões em um hospital pediátrico – é enfermeira. Chega a Milão-Cortina com chances de medalha, e um pódio faria a gaúcha entrar para a história do esporte nacional.

Os brasileiros que vêm de fora

De todos os 15 atletas brasileiros que estarão à disposição nas Olimpíadas de Inverno, Lucas Pinheiro é quem concentra a maior parte dos holofotes. É nele que o Brasil concentra a maior expectativa para conquistar a primeira medalha do país na história das Olimpíadas de Inverno. Nascido em Oslo, na Noruega, o competidor do esqui alpino chega aos Jogos com boas chances de subir ao pódio nas provas do slalom gigante e do slalom, disputadas nos dias 14 e 16 de fevereiro, respectivamente.

Filho de mãe brasileira, Lucas representou a Noruega por anos, mas teve problemas com a federação do país europeu e chegou a anunciar a aposentadoria do esporte. Em 2024, voltou atrás e trocou de nacionalidade no esqui alpino, passando a defender a bandeira verde-amarela. Nos últimos anos, já alcançou feitos históricos para o Brasil, com medalhas em etapas de Copas do Mundo, e chega a Milão-Cortina embalado por uma temporada de importantes conquistas.

Pat Burgener, do snowboard halfpipe, tem uma história parecida com a de Lucas. Nasceu em Lausanne, na Suíça, filho de mãe com cidadania brasileira. O atleta competiu sob a bandeira suíça, mas decidiu trocar de nacionalidade em 2025. Medalhista em Mundiais, é mais um que vai às Olimpíadas de Inverno com chances de subir ao pódio.

Augustinho Teixeira, por sua vez, nasceu em Ushuaia, na Argentina. Outro atleta do snowboard halfpipe, é filho de pai argentino e mãe brasileira. Desde pequeno, ele e o irmão, João, foram apontados como promessas do esporte do Brasil. Aos 20 anos, Augustinho já se prepara para competir no palco mais importante das modalidades de inverno.

Quarto integrante da delegação brasileira nascido no exterior, Giovanni Ongaro, de 22 anos, vem da cidade italiana de Clusone. O competidor do esqui alpino – participará das provas do slalom e do slalom gigante – passou a representar o Brasil em 2024/2025.

O Brasil em Olimpíadas de Inverno

Se hoje envia uma delegação de 15 atletas para os Jogos de Milão-Cortina, o Brasil viveu uma realidade bem diferente em outras edições das Olimpíadas de Inverno. De Chamonix 1924 a Calgary 1988, o país não teve nenhum representante no evento. A primeira participação veio apenas em 1992, na cidade francesa de Albertville. Sete atletas pioneiros defenderam a bandeira verde-amarela na ocasião, todos no esqui alpino: Christian Lothar Munder, Marcelo Apovian, Hans Egger, Sérgio Schuler, Fábio Igel, Robert Scott Detlof e Evelyn Schuler.

Depois, nas edições seguintes à de Albertville, o Brasil teve apenas um representante, sempre no esqui alpino. Christian Lothar Munder competiu em Lillehammer 1994. Marcelo Apovian participou de Nagano 1998.

Milão-Cortina será a décima edição consecutiva com a presença do Brasil, já que o país nunca ficou de fora dos Jogos desde que participou pela primeira vez. Ainda não conquistou medalhas e alimenta a esperança de um primeiro pódio. Até hoje, o melhor resultado do país foi um nono lugar de Isabel Clark, na prova do snowboard cross em Turim 2006.

Com a sexta participação assegurada, Edson Bindilatti se isolará como o atleta com mais aparições em Olimpíadas de Inverno. O baiano do bobsled estava empatado com Jaqueline Mourão, que disputou duas modalidades nos Jogos: esqui cross-country e biatlo. A mineira de 50 anos ainda esteve em três edições das Olimpíadas de Verão, no ciclismo mountain-bike, e tentou a classificação para Milão-Cortina, mas não conquistou vaga.

Fonte: GE

Foto: Getty Images

Deixe um comentário

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.

Newsletter