Os olhos do mundo se voltaram para a Venezuela diante da captura do presidente Nicolás Maduro por tropas americanas.
A mídia internacional e nacional passou a opinar e a divulgar informações sobre o ocorrido, evidenciando uma grande divisão de pensamentos.
Mas, antes de qualquer julgamento, é preciso analisar o que realmente está em jogo por trás dessa queda.
Seria, de fato, o combate ao narcotráfico? A intenção dos Estados Unidos de obter autonomia na exploração do petróleo? Ou ainda livrar a nação de um ditador? A verdade é que não sabemos qual é a real motivação, especialmente nos tempos atuais.
Tudo ficará elucidado no futuro.
Sem revanchismo ou paixões, analisando friamente e sem tomar partido, fica a reflexão: é correto um país viver à mercê de um ditador por décadas?
Um país onde o povo não tem direitos nem condições reais de votar e eleger seus representantes; onde eleições foram usurpadas; onde mais de 90% da população vive na miséria; onde o salário mínimo equivale a cerca de três reais; onde a população se vê forçada a se refugiar em outros países; onde pessoas chegam a se alimentar de restos de comida. Nesse cenário, apenas os “amigos do rei” vivem bem.
Há inúmeros fatos e apontamentos ocorridos ao longo dos anos na Venezuela. Ainda assim, o episódio pode ser interpretado como um ataque à democracia do país, colocando em xeque os tratados internacionais e abrindo precedentes perigosos para que potências como China e Rússia se sintam legitimadas a agir de forma semelhante contra outras nações.
Por outro lado, fica a pergunta inevitável: não haveria outra forma de destituir um ditador, libertar o povo e a nação, trazendo esperança e a possibilidade de paz àqueles que ainda acreditam nela? Na minha avaliação, diante do histórico político, repressão institucional e ausência de mecanismos democráticos efetivos, é difícil vislumbrar alternativas viáveis que não passassem por uma ação dessa natureza.
A conclusão que fica é clara: se há ou não interesses monetários por trás de tudo isso, não sabemos.
O que se espera, acima de qualquer disputa geopolítica, é que a Venezuela possa reencontrar o caminho da liberdade, da justiça e da soberania popular, pois um país verdadeiramente livre é aquele em que o povo pode se expressar e exercer plenamente a sua vontade.
Ronaldo Dutra
Cientista Político















